LIVRE
04 de maio de 2005
Eu achava que sendo loira eu seria popular.
Eu achava que se torrasse no sol ninguém resistiria a mim.
Eu achava que se tivesse uma bunda perfeita, todos iriam me amar.
Eu achava que fazer escova resolveria o problema.
Eu achava que se colocasse silicone nunca mais teria problemas amorosos.
Eu achava que se usasse maquiagem passaria a ser legal.
Eu achava que ter um namorado lindo faria todas me invejarem.
Eu achava que ter uma Louis Vuitton me transformaria numa pessoa completa.
Eu achava que se estivesse na moda então ninguém me difamaria.
Eu achava que comprar um carro fosse me inserir.
Eu achava que ostentar riqueza resolveria o problema. Eu achava que encher a cara resolveria o problema. Eu achava que seduzir eles todos resolveria o problema. Eu achava que ser bem falada resolveria o problema.
Ahhhhhhhhhhh. Nada como a maturidade pra nos livrar de valores que nos prendem.
Agora me sinto livre, como se, pela primeira vez em anos, eu pudesse respirar.
Por isso acho que tenho uma certa pena das garotas que vão de boné pra night, das garotas que vivem pra academia, das garotas que não tem perspectiva nenhuma. Eu vejo o meu reflexo nelas. O meu antigo, diga-se de passagem, reflexo.
CARALHO. E pensar que muitas delas viram peruas vazias que criam as filhas para serem iguaizinhas. Que tristeza. Isso é quase não viver. A vida tem tão mais a oferecer. A vida é tão linda aí fora.
Podem aplaudir, eu deixo.