No post anterior prometi um poema para o dia seguinte. É que eu já havia delineado a idéia básica e achava que iria dar conta. Mas não deu. Andei meio ocupado. Além disso, quando fui conclui-lo, ele foi crescendo em minhas mãos. É difícil lidar com esse negócio de poesia. Parece um bicho vivo. Aí fui fazendo, fazendo. Ficou bem dramático. Mas também criativo, não?
O LOUCO, O MONTE. ...e BIA por kali
- À minha volta não mais te vi.
Por que dormiram-me os olhos,
Eternas e ternas sentinelas de ti?
Então por montanhas e vales,
Colinas, campos suaves,
No encalço dela ele fugiu.
E descalço, frente a um monte,
Em seu desmonte parou.
E sós, ele e o monte, um ego e um eco,
No remonte do corpo, o monte ele argüiu, ao monte ele gritou:
- Por dias e dias andei. Sabes por que passei?
- Sei, sei, sei...
- O meu sonho, por mundos medonhos procurei.
- Rei, rei, rei...
- Triste olhar para trás e ver que nada encontraste.
- Traste, traste, traste...
- Deus! Onde meus pés eu pus!
- Pus, pus, pus...
- São feridas dos descaminhos por onde a desilusão passara.
- Sara, sara, sara...
- Não as do peito, onde um coração se enfraquece.
- Aquece, aquece, aquece...
- E onde calor encontrarei nesse frio em que me aperto?
- Perto, perto, perto...
- Onde, que não vejo?
- Vejo, vejo, vejo...
- Se vês, diga-me, ó monte, em que recanto!
- Canto, canto, canto...
- Sim! Ouço a melodia!!! E é dela essa voz!!! De onde se aproxima???
- Cima, cima, cima...
- Sim!!! Eu vejo!!! Tu a abrigavas no alto de ti !!! Como eu não sabia???
- Bia, Bia, Bia...
- Sim!!! É ela!!! Traga-a de volta para mim! É o meu clamor!
- Amor, amor, amor...
- ...E meu ardor!!!
- Dor, dor, dor...
- Dor, amor!!! O que importa? Da paixão os dois diamantes!
- Amantes, amantes, amantes...
- Não cabe em mim a euforia!!! Que venha a noite pois este dia ofereço a Deus!!!
- Adeus, adeus, adeus...
- Nãããooo!!! Não podes me negá-la!!! Traga-a para mim de volta!!!!
- Volta, volta, volta...
- Jamais voltaria sem o meu encanto, monte insano!!! Pois te escalarei!!!
- Calarei, calarei, calarei...
- Poi cala-te!!! Que por ela tuas encostas desbravarei e tuas matas desmatarei!!!
- Matarei, matarei, matarei...
- Nãããooo!!! Pois me desespero, e no meu desamparo me desfaço!!!
- Faço, faço, faço...
- Bia!!! Não te lances desse morro!!!
- Morro, morro, morro...
- Bia!!! Bia!!!... Águia, rapina dos céus, arranque o nó de minha garganta e leve meu grito a Deus!!!
- Adeus, adeus, adeus...
- Monte maldito!!! Do meu amor foste o cadafalso! Montanha assassina!!!
- Sina, Sina, Sina...
- Ora, sina! Tudo é mutável! Nosso destino nós próprios cavamos!
- Vamos, vamos, vamos...
- Para onde? Há caminhos para tudo... não há mais pernas, contudo!
- Tudo, tudo, tudo...
- Oh, dor! O que será agora de minha vida desafortunada?
- Nada, nada, nada...
E aí? O que você achou?.
PS: Atenção! Quem deixou comentário no post anterior, saiba que respondi tudinho. Abraços.
PS2: Fiz pequenas modificações no poema depois que o postei pela primeira vez. Acertei alguns erros e acrescentei mais oito versos no final. Espero que tenha sido para melhor. Abraços 2 :)
PS3: Na Internet, para se despedir com beijos e economizar nas palavras, digite assim: Bye-jos!. Soa "beijos" em português de Portugal ("baijos" :)("não tem o que fazer, não, Kali?". Até que tenho, sabe? Até que tenho). E quando você sair, despeça-se de seu cachorro assim: Meu lindim, tchau au au au!. Ele vai adorar! (Tô indo, tô indo. Abraços 3).