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Blog by Dani
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Um pequeno conto Talvez porque hoje seja sábado e talvez porque Amanda, aquela do poema do post anterior, tenha me falado uma coisa muito legal durante a carona que dei a ela, resolvi escrever um pequeno conto. Espero que caia no gosto apurado de vocês que fazem deste blog um dos mais seletos em termos de sensibilidade humana dos visitantes. O que Amanda me falou foi de uma coisa que ouviu do pai dela, que ela acha verdadeiro e me disse nunca esquecer: que uma pessoa que dirige um carrão de luxo nunca terá a mesma dignidade de um outro que dirige um carrinho de lixo, pois este está dando tudo de si para garantir sua sobrevivência, e a de sua família. E eu emendei: "e que vive de seu próprio trabalho e não às custas do trabalho de outro ser humano."
A VERGONHA DO PEDREIRO
Certa vez, um pedreiro recebeu a notícia de que seu filho encontrava-se preso. Sem dinheiro para contratar um advogado e angustiado com a notícia, ele pegou sua velha bicicleta e foi ter com o delegado para tentar obter a soltura do rapaz. Quando chegou lá, o delegado lhe disse: - Lamento por seu filho, mas ele foi preso em flagrante quando roubava um par de tênis de um jovem de mesma idade dele e não posso soltá-lo. Sei da vergonha que seu filho está causando ao senhor, mas devo cumprir a lei e mantê-lo preso. O pedreiro então respondeu: - A vergonha que meu filho me faz sentir diante de todos é mesmo muito grande, sr. delegado, mas nem se compara à vergonha que sinto diante dele. Sem entender o sentido daquela frase, o delegado perguntou: - Mas que tamanha vergonha um homem honesto como o senhor pode sentir diante de um filho que acabou de cometer um crime? - A vergonha de não ter podido dar a ele o que ele tentou roubar e a de não poder agora tirá-lo de uma cadeia que eu mesmo construí. Diante do silêncio do delegado, o velho pedreiro pegou sua bicicleta e voltou para casa com o mesmo semblante abatido com que assentava tijolo por tijolo no seu dia-a-dia, ciente do roubo que seu filho cometeu contra a sociedade. Mas nem de longe suspeitando do quanto, durante toda sua vida, a sociedade lhe havia roubado.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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