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quinta-feira, 8 de abril de 2004 O terror ianque
Pela primeira vez eu iria eliminar um post, o anterior, pois o achei muito ruim, e isso estava me incomodando bastante. Mas, como já havia dois comentários elogiando, de Donana e Nanda, (pessoas generosas, não? :), resolvi deixar. Mas, por favor, desconsiderem. Acho que foi o pior de mim. Segue abaixo algo que considero um pouco melhor e bem mais sério. O que eu queria falar mesmo era de coisas bem mais importantes, como o massacre que os Estados Unidos continuam promovendo no Iraque/Afeganistão, agora reavivado em sua forma mais cruel e sanguinária. Nem se compara ao terrorismo rudimentar (nem por isso menos repugnante, claro) dos iraquianos. Pelo menos estes tem o argumento de estarem sendo invadidos e massacrados por uma poderosa força estrangeira. E para os americanos nenhuma desculpa, já que as alegadas "armas de destruição em massa" nunca existiram. Nem mesmo a do terrorismo, pois até hoje não se provou que um país específico ou um chefe de governo de um determinado país, até mesmo o próprio Sadam Hussein, fossem os responsáveis diretos pelos ataque de 11 de setembro. As cenas de quatro americanos trucidados por jovens iraquianos da cidade de Fallujah realmente chocam. Porém, não vi ninguém reagir de forma indignada quando, no início da ocupação americana no Iraque, soldados americanos fuzilaram quinze civis que protestavam contra a falta de água e comida, naquela mesma cidade. É impressionante o poder da imprensa e da mídia. Atua com eficácia total sobre mentes e corações mundo afora, fazendo do invasor a vítima e, do verdadeiro terror, uma ação benéfica para a humanidade. São os bóris casóis da vida, cujo cinismo transforma o "terror de uma luta" em "luta contra o terror". Jornalistas são mestres da arte de manipular palavras e sentidos. Ontem foi o dia do jornalista. Não há muito o que comemorar. O cinismo da imprensa burguesa é tão repugnante quanto as imagens que ela transmite. A destruição de casas, de mesquitas, de vidas e de esperanças por tanques e armas de última geração são retratadas como ações normais, necessárias e justificáveis. Porém, a reação heróica de um povo totalmente massacrado, expulso de suas próprias terras como o povo palestino, sem armas ou um exércio que permitisse uma reação à altura dos ataques, mas que tem apenas como opção de defesa transformar o próprio corpo numa granada, nos é repassado como a mais estúpida e odiosa atitude que um ser humano possa conceber. O que ainda me dá esperança é que o povo americano ainda não entrou em cena. E quando isso acontecer, pessoas como George W. Bush, Donald Romsfield e Condollezza Rice, e, de quebra, Ariel Sharon, virarão pó. Pois eu acredito piamente que a maioria do povo americano é totalmente contra essa guerra vergonhosa que o governo Bush faz em seu nome. Não tenho dúvidas que um dia os americanos reconquistarão o respeito e admiração de que sempre desfrutaram dos povos do mundo inteiro. A destruição dos museus de Bagdá quando da invasão americana e a incapacidade de a nação mais poderosa do mundo em impor uma ordem social e econômica num país depois de tê-lo invadido são bastante sintomáticos. Representam, ao meu ver, com uma clareza esplêndida, a impossibilidade de o capitalismo, em seu estágio atual, oferecer à humanidade um estado de ordem, de hamonia e de paz. As obras dos museus de Bagdá destruídas pela simples presença da maior nação capitalista do planeta eram peças que representavam o berço da civilização humana. Bastante sintomático pra meu gosto.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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