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Blog by Dani
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segunda-feira, 22 de março de 2004 Oi, Lênin! Oi, Marx! Oi, Engels!
Finalmente assisti a Adeus, Lênin!. Recomendo. Pelo roteiro e por uma cena que vai ficar na história do cinema: o vôo do que restou da estátua de Lênin, levada pelos céus de Berlim por um helicóptero. A cena é introduzida pelo movimento da sombra do helicóptero e da estátua sobre um edifício. Nunca vi uma cena com um efeito tão dramático. Impressionante. Para mim em especial, para quem a imagem e a história de Lênin tem um valor especial. Genial. Como é que pode uma pessoa extrair tanta poesia, tanto simbolismo e tanta dramaticidade de uma cena que a princípio teria um caráter frio e meramente jornalístico? Estou até agora pasmado, perplexo, patético, extasiado.
Do filme não vou dizer muito, a não ser que o diretor Wofgang Becker lhe deu um caráter humanista, sem deixar de criticar o capitalismo e o stalinismo, dois sistemas que nem precisam de críticas, que se condenam por si mesmo pelos efeitos destrutivos que provocaram e provocam na humanidade. Bacana esse filme.
Mas quanto a Lênin, acho que o mais correto seria dizer tchau, não adeus, tenho essa impressão. E o mesmo penso quanto a Marx e Engels. Pelo seguinte: o que ambos pregavam continua na ordem do dia. Só um exemplo: lembram quando, no Manifesto do Partido Comunista, defendendo-se da burguesia que os acusavam de pretenderem criar uma "comunidade de mulheres", Marx e Engels disseram que o Capitalismo é que criou essa comunidade na prática, ao obrigar as mulheres proletárias e pequeno-burguesas a se prostituírem para sobreviver? E que os grandes empresários também é que realizavam de fato essa "socialização das mulheres", pois gostavam de seduzir as mulheres uns dos outros? Pois bem. Quanto à segunda acusação, nos parece que o costume se mantém. Quanto à primeira, basta abrir os classificados de qualquer jornal de quinta categoria para ver como essa prática se generalizou. Obrigada a vender a alma ao Capitalismo, a classe média viu-se também obrigada a vender o corpo. É a verdade. Nua e crua. Mais nua do que crua. O resto são moralismos. Que não fazem história.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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