Poemas kálidos:

A Lenda do Beijo
A Mulher que Namorou o Tempo
Aldeia Global
Evolução
Lábios Trêmulos
Poema do Ciúme
Poesia Concreta
Poema do Blogueiro
Cachorra
 

       
Contos kálidos:


A Repulsa
Duetos
Os Olhos do Velho
Tempestade de Neve



Águas passadas 

2002

jan fev mar abr
mai jun jul

ago

set

out

nov

dez

2003

janfev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2004

jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2005

jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2006

jan fev mar abr
mai jun jul ago

set

out

nov

dez

2007

jan fev mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2008

jan

fev

mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2009

jan

fev

mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2010

jan

fev

mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2011

jan

fev

mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

2012

fev

fev

mar abr
mai jun jul ago
set out nov dez

 



Blogs:

 
(Selo que concedo
aos blogs que admiro)

Recebi:

Visitantes:

Powered by Blogger

 

 

quarta-feira, 13 de agosto de 2003

Um conto

Hoje, revirando minhas coisas vi um e-mail que mandei certa vez para minha golden list. Um e-mail looooooongo. Era época de Natal. No e-mail tinha um conto que escrevi e que você vai fazer o favor de ler agora, tá? Se não te custar muito, claro.

OS OLHOS DO VELHO by Kali

Numa cidadezinha vivia um homem muito solitário. Morava sozinho em sua pequena casa, o único bem material que lhe restara em sua vida. Os bens espirituais também lhe faltavam nesse momento. As pessoas mais próximas e queridas ele já havia perdido fazia tempo. Não tinha mais esposa e filhos. Ficaram ao longo de sua laboriosa vida. Laboriosa, mas feliz. Nem era a ausência dessas pessoas que lhe perturbava o espírito. A ausência dos vivos amargurava bem mais seu peito franzino. Tinha poucos amigos e, mesmo assim, nunca os via. Dos parentes já nem lembrava os nomes. Nunca recebia uma visita. Os mortos, ao menos lhe apareciam em sonhos e em doces lembrança que ele fazia questão de cultivar, com enorme zelo: eram esses os raros momentos felizes de sua vida agora tristonha. Uma tristeza sem fim por se sentir isolado, desprezado, esquecido naquele canto, naquela casa, naquele bairro, naquela cidade.

Mas um dia acordou com um sorriso enigmático nos lábios. Havia descoberto uma forma de pôr fim à sua desolação. Finalmente haveria de reunir várias pessoas em torno dele. Era Natal. Começou a planejar tudo, extremamente animado. Nada haveria de dar errado. Sua depressão transformou-se em uma maravilhosa e incontida ansiedade pelo momento esperado.

E tudo aconteceu como previra naquela noite: luzes piscando, vários Papais Noel pelo quintal e a vizinhança toda agora com os olhos voltados só pra ele. Ele não se continha de felicidade.

As luzes piscando, que para ele eram natalinas, vinham dos carros de bombeiro. Os animados papais Noel eram, na verdade, bombeiros vestidos de vermelho, que conseguiram, com muito custo, apagar o fogo que ele tocou na própria casa.

Os bombeiros só não conseguiram apagar no pobre homem o brilho intenso em seus olhos e o sorriso que resplandeciam em sua face.

Kali.
Gostou, assine.



 

 

Não falo de mim,
mas do mundo,
bem mais importante
e interessante.
Quiçá, mais bonito :Þ

Creative Commons License

Blog Kálido, escrito por kali, é licenciado sob as seguintes condições:
Creative Commons:
Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas
2.5 Brasil License
.

 



Clique
nos cartões abaixo
para ver os diálogos.

imagens:
Kim Anderson
textos: kali