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Blog by Dani
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quinta-feira, 10 de julho de 2003 Eu, os argentinos e os trabalhadores do mundo inteiro
![]() Diferente do senso mais ou menos comum e predominante no Brasil, não tenho nada contra o povo argentino. O sentimento de antipatia pelos argentinos vem sendo inculcado há anos pelas classes média e alta brasileiras em razão da competição econômica entre as empresas daqui e de lá. Um sentimento burguês mesquinho gerado pela competição capitalista. A exaltada arrogância dos argentinos deve ser debitada a determinadas classes sociais daquele país e não ao seu povo humilde, trabalhador, sofredor e vítima de uma das mais sanguinárias ditaduras que já passaram pela América Latina. Além disso, essa arrogância tampouco é menor do que a arrogância tupiniquim de nossas classes médias e ricas. Tenho isso bem claro. Uma convicção muito forte repousa dentro de mim quanto aos sentimentos que devemos cultivar em relação aos povos do mundo inteiro: uma convicção moral que vem de uma convicção de classe. Uma pessoa que vive do salário que recebe não pode ver em outra pessoa nessa mesma condiçao senão um irmão, esteja em que parte do mundo estiver. E pessoas assalariadas formam não só a maioria do povo de qualquer nação do mundo moderno como também molda o caráter dessas nações, ainda que tal caráter não consiga se manifestar de forma clara e soberana como merecia. A razão deste post é o recebimento de um e-mail falando mal e gratuitamente dos argentinos, generalizando patifarias sobre eles. Poderia ser contra qualquer outra nacionalidade, os portugueses, por exemplo. Não gosto. Antes de falar mal de um povo, de sua suposta pobreza material ou moral, o brasileiro deveria: primeiro, verificar se aquela crítica ou gozação vale para todo aquele povo; segundo, olhar na tabela de desenvolvimento humano das Nações Unidas se aquele país está abaixo ou acima do Brasil. No caso de Argentina e Portugal, estão bem acima. Minha consciência política de classe me fornece um sentimento de solidariedade e respeito humanos que nenhuma religião na face da terra pode me dar.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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