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Blog by Dani
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sexta-feira, 18 de julho de 2003 Continuando... Acontece que a história de Giovanni Boccaccio que eu comecei a contar ontem se chama Federigo e o falcão [História do Decamerão contada por Fiammetta] . Este conto está no livro A Selva do Amor – Contos clássicos da guerra dos sexos, recentemente lançado pela editora Record, organizado por Roberto Muggiati. Entendam-se contos clássicos nesse livro como contos de Virginia Wolf, D. H. Lawrence, García Lorca, Tchekov, F. S. Fitzgeral, Gorki, Allan Poe, Proust, Eça de Queirós, Kafka, James Joyce. Se eu fosse você, faria o que eu fiz: iria correndo comprar esse troço, só pra ler. E tomei outra decisão: a história que comecei a contar vai seguir sendo contado pelo próprio Boccaccio (ou pelo tal Fammetta, sei lá), na tradução do original de Roberto Muggiati. É vapt, vupt! Divirta-se. Bem, então, Federigo se viu pobre, com a fazendola que lhe restou e de onde tirava seu minguado sustento. E, como eu havia falado, lhe sobrou um falcão, um dos melhores que se conhecia... Continue agora, Giovanni Boccaccio. O conto é seu, a palavra é sua. Grazie, Kali. Apesar de tudo, mais apaixonado do que nunca, sem poder habitar na cidade como era seu desejo, deixou-se ficar no seu sítio, onde, quando o tempo permitia, saía a caçar aves e, sem pedir nada a ninguém, suportava pacientemente a sua pobreza. Aconteceu um dia que, achando-se Federigo reduzido a extrema privação, o marido de Dona Giovanna caiu doente e, vendo a morte se aproximar, fez testamento; e, como era riquíssimo, deixou tudo para seu filho único, já quase um rapaz; e, caso este por sua vez morresse sem filhos legítimos, seus bens ficariam para Dona Giovanna, de quem gostava muito; e assim morreu. Ao ficar viúva, Dona Giovanna, como é costume entre nossas mulheres, ia passar a época de verão no capo, onde tinha uma propriedade, próximo da fazenda de Federigo. E ocorreu que o seu filho começou a travar amizade com Federigo, indo os dois a caçar aves com os cachorros. E, tendo visto muitas vezes o falcão de Federigo voar, ficou fascinado pelo pássaro e desejava muito tê-lo para si, mas não se atrevia a pedi-lo porque vira que Federigo era muito apegado ao animal. E assim seguiam as coisas quando o rapazola adoeceu, o que causou grande preocupação em sua mãe, visto que era seu único filho. Ela não media esforços para conforta-lo e constantemente lhe perguntava se não havia nada que ele desejasse em que ela pudesse gratifica-lo, se estivesse dentro do seu poder. O jovem, depois, d e tantas ofertas desse tipo, disse: - Minha mãe querida, se conseguisse para mim o falcão de Federigo acredito que eu ficaria prontamente curado. Ao ouvir isso, a senhora ficou em suspenso e começou a pensar no que podereia fazer. Sabia que Federigo há muito tempo a amava, sem nenhum encorajamento da sua parte. Ent]ao disse para si mesma: “ Como poderei mandar alguém ou ir pedir eu mesma este falcão, do qual dizem ser o melhor que já voou, e além do mais aquilo que o mantém no mundo? Ou como poderia eu tentar subtrair ao cavalheiro todo o prazer que lhe restou na vida?” Achando-se assim perplexa, embora tivesse a certeza de que bastava pedir para consegui-lo, passou alguns momentos sem dar nenhuma resposta. Finalmente, o amor ao filho predominou e decidiu, para satisfazê-lo, não pedir através de outra pessoa, mas ir ela mesma ao encontro de Federigo para solicitar o falcão. Respondeu então: - Filho meu, repouse o seu coração e pense apenas em ficar melhor que eu prometo: a primeira coisa que farei amanhã de manhã será ir pedir o falcão e trazê-lo para você. Palavras que deixaram o rapazola tão contente que começou até a mostrar sinais de melhora... - Perdão, senhor Boccacio. - Sì, sí, Kali. - Já que estamos na hora do almoço, se importaria de continuar depois, se a Record não encher o saco com direito autoral? - Naturalmente. - Grazie.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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