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Blog by Dani
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quarta-feira, 9 de abril de 2003 A Guerra do Iraque e o Capitalismo O banho de sangue promovido por Bush e seu bando nas terras históricas da Mesopotâmia traz algumas lições importantes àqueles que conseguem enxergar nessa guerra um pouco mais do que a encenação de uma caça a um ditador e às suas armas químicas. De uma forma mais evidente do que nas duas Guerras Mundiais, o capitalismo mostra ao mundo sua face de horror. Se nas duas Grandes Guerras havia a disputa de mercado entre potências para "justificar" a carnificina de milhões de trabalhadores em nome da burguesia e do capitalismo, a Guerra do Iraque mostra que já não é necessário tanto e que guerra de conquista faz parte da própria essência do Capital, de sua necessidade imperiosa de expansão, de sede insaciável e vital de subjugar povos e mercados. Uma outra conclusão importante, decorrente dessa primeira, é que a demonstração de força do governo Bush vem exatamente da fraqueza atual da economia americana que o obriga a obter pelas bombas o que o sistema econômico por si só já não consegue pelos métodos normais das leis de mercado dada a crise em que o sistema como um todo está mergulhado. As bolsas demonstram isso claramente. Mas apesar de toda essa pujança assassina, não há saídas para o capitalismo. Essa e outras guerras que virão apenas farão prolongar a agonia desse sistema econômico que, por suas contradições insuperáveis, hoje só pode oferecer insegurança, violência, terror, fome, desespero e morte à humanidade. Que contradições intransponíveis são essas? O Capitalismo, desde que nasceu, só consegue se desenvolver gerando situações que o levarão ao seu próprio colapso e à necessidade de sua substituição por um outro sistema econômico. O Capitalismo cria seus próprios coveiros, no dizer de Marx. Vamos ver uma dessas contradições num exemplo bem simples. Suponhamos uma empresa com 8 operários trabalhando 8 horas por dia. Temos aí uma produção de 64 horas de trabalho/dia. Suponhamos agora que essa empresa, através de investimentos e inovações tecnológicas em sua produção (isso é imperioso para ela se manter no mercado) consiga obter a mesma produção com 48 horas de trabalho/dia, em vez de 64. Suponhamos ainda que o volume dessa produção deva ser mantido, considerando as condições de mercado. O que acontecerá? Acontecerá o que sempre aconteceu, sempre acontece e sempre acontecerá num sistema capitalista: em vez de o empresário manter os oito operários trabalhanho agora numa jornada reduzida de 6 horas, obtendo as 48 horas de trabalho necessárias, ele dará um pé na bunda em dois operários e manterá os outros seis trabalhando as mesmas oito horas de sempre, totalizando as 48 horas de que precisa. Aí sim, o empresário poderá vender sua mercadoria por um preço menor pois usa agora menos operários do que usava antes. Amplie-se esse caso para sua cidade, para seu país e para o mundo e verá a razão e a realidade de tanta miséria e violência e porque vamos chegar a um momento insustentável. Se quiser ter melhor percepção dessa realidade, é só abrir a janela. O problema insolúvel está aí: pensando que está se salvando, o capitalista e o capitalismo está cada vez mais indo para um beco sem saída, pois o operário a quem ele pagava um salário mas despediu era aquele mesmo que comprava sua mercadoria, que permitia que o capitalista a vendesse. Hoje o empresário olha sua mercadoria encalhada nas prateleiras e fica se perguntando "meu Deus, o que está acontecendo?". Deus não tem nada a haver com isso. O demônio, com certeza.
O Capitalismo é um dentista desempregado ao lado de um pobre desdentado, sem que um nada possa fazer pelo outro. Eis o retrato do Capitalismo. O ser humano é o limite do outro, não o seu complemento.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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