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Blog by Dani
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segunda-feira, 21 de outubro de 2002 Em homenagem às mulheres que lêem este blog, um trecho, em cor de rosa-choque, de um grande poeta do passado: Ovídio. Segundo Montesquieu, Ovídio foi o "que desvendou os mais belos segredos da natureza", que "ensinou aos homens a soltar o suspiro adequado e às mulheres recebê-lo; aos homens, saber o momento propício aos amantes, e às mulheres, oferecê-lo." Ovídio nasceu em 43 a.C., em Sulmona, na Itália. Sua literatura pressupõe que os homens e mulheres são livres de corpo e de sentimentos. Sem falsos moralismos, o universo de Ovídio é totalmente desprovido de pecado. Para vocês, mulheres, com kálidas saudações. Enquanto Vênus me inspira, procurem aqui lições, ó mulheres! Eu falo para mulheres a quem o pudor, as leis e condição autorizam aproveitá-las. Desde já pensem na velhice que virá: assim não deixem passar nenhum momento sem aproveitá-lo. Enquanto puderem, estando ainda na primavera da vida, divirtam-se; os anos passam como a água que corre; a onda que passou na sua frente não voltará mais de onde ela veio; assim também a hora que passou não pode mais retornar. É preciso aproveitar sua idade; ela foge rapidadmente e, por mais feliz que ela seja, será menos feliz do que aquela que a precedeu. No lugar desses espinhos retorcidos floriam violetas; esta moita espinhosa me propiciou outrora encantadoras coroas. Dia virá em que você, que agora manda os apaixonados embora, velha e abandonada, ficará sozinha à noite sobre seu leito frio. Sua porta não será quebrada durante uma briga noturna, e de manhã você não encontrará a soleira coberta de rosas. Tão rápido, infelizmente! A pele se torna flácida, formando rugas, enquanto desaparece a bela cor do rosto gracioso; esses cabelos brando que você jura que já tinha quando era jovem bruscamente cobrirão toda sua cabeça. As serpentes, saindo de sua fina pele, se despoja de sua velhice, e o cervo não é mais velho quando seus cornos caem; mas para nós não há recursos quando desaparecem nossos encantos: colham a flor, pois, se ela não for colhida, penderá e cairá sozinha. Além do mais, dar à luz faz envelhecer mais cedo: repetidas colheitas envelhecem o campo. Endimião não a envergonhou, ó Lua, sobre o monte Latmo, Céfalo não foi uma conquista indigna da deusa com dedos de rosa; e Vênus, sem falar de Adonis, que ela não cessa de chorar, de onde vieram Enéias e Harmonia, seus filhos? Sigam, mortais, o exemplo das deusas e não neguem aos desejos de seus amantes os prazeres que vocês podem lhes dar. Admitindo que eles as enganem, o que vocês perdem? Tudo o que vocês têm fica. Mil homens podem ter seus encantos à disposição deles; eles não os roubam. Com o uso do ferro se gasta e a pedra diminui; mas a coisa a que me refiro resiste a tudo e não há porque temer o menor dano. Quem recusaria a deixar acender uma chama em outra chama? Quem vigiaria as águas abundantes do mar profundo? Entretanto, haverá uma mulher para responder a um homem: "Nada feito". Como? O que você perde? A água que você usa para se lavar. Por outro lado, minha voz não as aconselha a se entregarem a qualquer um, mas pede para não recearem um perda imaginária: vocês não perdem nada se entregando. Mais tarde será preciso o sopro de um vento mais possante; enquanto estou no porto, que uma ligeira brisa me empurre para frente! Isso tudo escrito há dois mil anos. Bem antes de o cristianismo ter podado, durante séculos e séculos, a satisfação dos mais caros, íntimos e preciosos desejos femininos. A castração físicas de mulheres africanas é algo assombroso, mas a castração mental e moral das mulheres pela religião cristã teve o mesmo efeito: garantir ao homem uma fêmea dócil, submissa e tolhida. Tenho dito. Eu, Kali.
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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