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Blog by Dani
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Vamos falar de um certo filósofo grego. Epicuro nasceu em 341 a.C., na ilha grega de Samos, ostentando a cidadania ateniense herdada do pai. Começou a estudar filosofia em Samos mesmo, aos 14 anos. Foi nessa época que fez a pergunta “e o Caos, de onde veio?” ao ouvir de seu professor de gramática o verso de Hesíodo de que todas as coisas vieram do Caos. Aos 18 anos transferiu-se pra Atenas para prestar os dois anos de serviço militar. Lá irá encontrar os grandes filósofos da época (Aristóteles estava exilado de Atenas e morreria no ano seguinte). Em 322, após a morte de Alexandre Magno, o sucessor deste decide expulsar todos os colonos atenienses. A família inteira de Epicuro vai na leva. Em Cólofon, onde foi parar com seus familiares desterrados, funda sua própria escola e já começa a revisar os ensinamentos de Demócrito cuja filosofia conhecera em Teos, próximo dali. Entre 311 e 310 funda outra escola na lendária ilha de Lesbos, mas os aristotélicos não a deixam florescer. Mudando-se para Dardanelos, é a vez de entrar em choque com os platônicos, mas consegue instalar uma escola. E aqui ele conquista os amigos-seguidores que o acompanharão o resto da vida. Em 306 retorna a Atenas, adquire uma ampla casa construindo em seu entorno um grande jardim. É ali que vai estabelecer sua escola que ficou conhecida como o Jardim de Epicuro. Em 270 a.C., o segundo da 127ª Olimpíada, Epicuro morre aos 72 anos de idade. A doutrina de Epicuro A filosofia de Epicuro direciona o ser humano para a busca de sua felicidade, através de uma postura serena e consciente diante da vida e da morte. Os epicuristas tinham uma tarefa para sua filosofia: a de tornar os homens felizes. Não pela busca insana do prazer e dos bens materiais, pelo contrário: “a quem pouco não basta, nada basta”. O epicurismo pretende deixar o espírito mais livre, o mais despojado, o mais puro para captar os prazeres que realmente valem a pena buscar, como o prazer da leitura, da contemplação da vida ou da conversa com os amigos esclarecidos, o sentimento da fraternidade que une os homens livres de preconceitos. Através do verdadeiro conhecimento das coisas do mundo e seus efeitos sobre os homens, essa doutrina ensinava as pessoas a serenidade diante de todos os males e dificuldades da vida, inclusive da própria morte. Para Epicuro, um homem sábio jamais poderia temer a morte, pois para ele todo bem e todo mal vem das sensações, e a morte é justamente a privação delas. Não é para menos que o epicurismo é uma filosofia de alento para o ser humano: ela floresceu numa época em que o mundo desmoronava diante dos gregos: o fim de sua civilização. Dominados, escravos, expulsos de sua terra, o fim da liberdade, da religião, da vida política e da pátria gregas. Atenas é vítima da miséria econômica e da miséria política. A época de Epicuro foi de todas a mais trágica: as grandes cidades gregas, Atenas e Esparta, perderam-se nas guerras; Felipe e Alexandre da Macedônia conquistaram o mundo grego e a Ásia, até a Índia; os sucessores de Alexandre batem-se. Atenas, que tinha sido a cidade de Péricles, que tinha salvo a Grécia da grande massa asiática, é arrastada por um extraordinário turbilhão. Sucedem-se guerras e agitações. De 3047 a 261, mudam várias vezes, os partidos disputam poder. . A desgraça instala-se entre os gregos. A desordem e a angústia aumentam dia-a-dia. Por quatro vezes, um príncipe estrangeiro estabelece um governo e modifica as instituições. Três movimentos libertadores são afogados em sangue. Atenas sofre quatro cercos. Sangue, incêndios, expulsões, assassínios: esse é e cenário desolador é que surge a filosofia do jardim, como uma flor que nasce no meio do estrume. O terreno fétido e putrefato lhe dá toda sua força e exuberância. Pérolas do epicurismo: “O sábio nem desdenha viver, nem teme deixar de viver; para ele, viver não é um fardo e não-viver não é um mal.” "De todas as coisas que nosso oferece a sabedoria para a felicidade de toda a vida, a maior é a aquisição da amizade". “Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos como de confiança de sua ajuda.” “A amizade dança à volta do mundo, gritando-nos que despertemos para a felicidade”. “Assim como opta pela comida mais saborosa e não pela mais abundante, do mesmo modo que ele colhe os doces frutos de um tempo bem vivido, ainda que breve.” “Os alimentos mais simples proporcionam o mesmo prazer que as iguarias mais requintadas, desde que se remova a dor provocada por sua falta: pão e água produzem o prazer mais profundo quando ingeridos por quem deles necessita.” “Quando então dizemos que o fim último é o prazer, não nos referimos aos prazeres dos intemperantes ou aos que consistem no gozo dos sentido, como acreditam certas pessoas que ignoram o nosso pensamento, ou não concordam com ele, ou o interpretam erroneamente, mas ao prazer que é ausência de sofrimentos físicos e de perturbações da alma.” “Não são, pois, bebidas, nem banquetes contínuos, nem a posse de mulheres e rapazes, nem o sabor dos peixes ou das outras iguarias de uma mesa farta que tornam doce uma vida, mas um exame cuidadoso que investigue as causas da toda escolha e de toda rejeição e que remova as opiniões falsas em virtudes das quais uma imensa perturbação toma conta dos espíritos”. “Nunca se protele o filosofar quando se é jovem, nem canse o fazê-lo quando se é velho, pois que ninguém é jamais pouco maduro nem demasiado maduro pra conquistar a saúde da alma. E quem diz que a hora de filosofar ainda não chegou ou já passou, assemelha-se ao que diz que ainda não chegou ou já passou a hora de ser feliz.” “O essencial para nossa felicidade é a nossa condição íntima:e desta somos nós os senhores.” “É necessário crer que os mundos e toda combinação finita nascem do infinito.” “A vida do insensato é ingrata, encontra-se em constante agitação e está sempre dirigida para o futuro.” “Quem menos sente a necessidade do amanhã mais alegremente se prepara para o amanhã.” “Quando te angustias com as tuas angústias, te esqueces da natureza: a ti mesmo te impões infinitos desejos e temores.” “Então quem obedece à natureza e não às vãs opiniões, a si próprio se basta em todos os casos. Com efeito, para o que é suficiente por natureza toda a aquisição é riqueza, mas, por comparação com o infinito dos desejos, até a maior riqueza é pobreza.” “Encontro-me cheio de prazer corpóreo quando vivo a pão e água e cuspo sobre os prazeres da luxúria, não por si próprios, mas pelos inconvenientes que os acompanha.” “A quem não bastam pouco, nada basta.” “Não deves corromper o bem presente com o desejo daquilo que não tens; antes deves considerar também que aquilo que agora possuis se encontrava no número dos teus desejos.” “O homem que tenha alcançado o fim da espécie humana será honesto mesmo que ninguém se encontre presente.” “Ateu não é o que não crê em Deus, mas o que crê na imagem que o povo faz de Deus.” “Acostuma-te à idéia de que a morte pra nós não é nada, visto que todo bem e todo mal residem ns sensações, e a morte é justamente a privações das sensações.” “Então, o mais terrível de todos os males, a morte, não significa nada pra nós, justamente porque, quando estamos vivos, é a morte que não está presente; ao contrário, quando a morte está presente, nós é que não estamos.”
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Não falo de mim,
nos cartões abaixo para ver os diálogos. imagens: Kim Anderson textos: kali
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